O seguinte texto, extraído da versão digital do terceiro volume de Réquiem – Cavaleiro Vampiro produzida pela Nickel Éditions, não figura da edição física de Réquiem pela Mythos (que contém os três primeiros volumes da obra), mas é uma interessante apresentação do universo do quadrinho por seu escritor, o lendário Pat Mills…

DRÁCULA

THUNDERCATS GOOOOOOO (para maiores de 18, hehehe)

A psicologia dos monstros me fascina, e este volume foca na verdade sombria sobre a relação entre Heinrich e Rebecca. O fascínio de Romeu e Julieta de sua relação desvaneceu e agora nós vemos os verdadeiros mecanismos que os motivam e os controlam. E ainda assim o paradoxo é que ao descobrir o porquê Heinrich se torna um monstro, o entendimento nos leva até o meio do caminho (mas só até o meio mesmo) de simpatizarmos com ele. Acho que é como Walter White em Breaking Bad. Nós entendemos o motivo dele criar e vender entorpecentes e todos nós gostamos e simpatizamos com ele, mas nós não queremos nos unir a ele. Réquiem é um personagem similar e o ópio negro que ele usa é quase tão letal quanto metanfetamina.

É possível, acredito, racionalizar ou explicar o porquê qualquer um se torna ‘maligno’. Isso não faz seus crimes serem mais perdoáveis, mas pelo menos os crimes dos vampiros são reconhecidamente sombrios e há uma certa honestidade sobre isso. Nero, por exemplo, nunca pretendeu ser outra coisa além do que ele é. Minha ira em Réquiem (e na vida real) é reservada para hipócritas que fingem serem do bem, mas são tudo menos isso. Em Ressurreição eles acabam como carniçais. Existem tantas outras possibilidades que eu amaria ver transformadas em carniçais algum dia: Tony Blair, Sir Edward Grey e Herbert Hoover estariam no topo da lista.

Grey foi o cara responsável por começar a Primeira Guerra Mundial, sem a menor sombra de dúvida. Após causar a morte de 16 milhões de pessoas, posteriormente escreveu livros gentis e sertanejos sobre pesca! Um hipócrita clássico! As assim chamadas missões humanitárias de Herbert Hoover não chegam perto em escrutínio, nem sequer o jeito que ele coletou e destruiu/escondeu relatórios chave após a Primeira Guerra Mundial. Não caia na versão da Wikipédia do Sr. Hoover: santo ele não era. Se vocês estão curiosos, me informem, que eu tentarei postar algo no meu site, millsverse.com. Já sobre Tony Blair… bem, não precisamos falar dele, não é? Ele provavelmente precisa de um gênero próprio.

Os hipócritas têm que ser a maior ameaça pois eles fingem que são caras legais e você não consegue reconhecê-los até ser tarde demais. Estou quase certo que são sóciopatas. Eles têm que ser. Carniçais parecem os resumir bem. Maníacos religiosos tornando-se em lobisomens também parece bem certo e Torquemada é um dos meus vilões favoritos de todos os tempos. Eu estive estudando a vida dele por décadas. Um indivíduo verdadeiramente maligno e doentio. Zumbis são muito divertidos para se zombar e existem numerosas outras espécies em Ressurreição. A diversidade nunca para de me cativar.

A complexa política de Ressurreição (criada em uma era pré-Game of Thrones) é outro estrato de que a história que tem um enorme potencial e com tantos elementos diferentes, a saga de Réquiem clama por spin-offs. Assim que a história principal for completada (no Livro 13), isso será prioridade em nossa agenda. Assim que eu tiver quaisquer notícias com certeza eu os informarei.

Pat Mills, agosto de 2014

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Joana Rosa Russo
joanarrt@gmail.com

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