ORKSSOLEIL
Roteiro: Nicolas TackianArte: Nicolas Guenet
Edição de LuxoCapa dura
116 páginas • CoresFormato Gold: 23,4 x 32,3 cm
Preço: R$ 84,90ISBN: 978-85-7867-301-7

 

Leitor, cuidado. Em alguns momentos este texto dará alguns spoilers da história. Mas todos são avisados! Então fique atento! Quando aparecer a imagem ao lado e os dizeres *spoiler alert*, é melhor passar direto!

Senta que lá vem história…

 

Afinal, Orks são tão guerreiros assim?

Com o mais recente lançamento da Editora Mythos, ORKS é uma daquelas obras que acaba com gosto de quero mais -literalmente.

Humanos: seja lá como for na ficção ou na realidade… Sempre estamos em busca do expansionismo. Claro que, toda regra tem sua exceção e nesta história não poderia ser diferente.

Até porque o ponto de virada está justamente numa turma “rebelde”…

Antes de falar dos “rebeldes”, vale contar um pouco como a história de Orks se desenrola.

Ao contrário do que se tem como regra, a raça “verdinha” não se apresenta como um povo que busca a guerra.

Mas sim, são exímios guerreiros, prontos para qualquer investida, mesmo que ela seja meio “torta” e que resulte em baixas indefinidas que *alerta de spoiler* pode provocar até mesmo sua extinção *final spoiler*.

Um governante local maluco, uma cultura escravista e deus sendo cultuados. Acho que são dados interessantes para se começar a falar de onde começa essa aventura.

O problema maior é quando essa expedição exploratória esbarra na floresta onde, justamente, nossos Orks vivem.

Para os Orks, toda a religião e cultura provém da natureza e pela natureza.

Mas existe um pequeno problema que impede um revide imediato: com a morte do seu “rei”, agora o povo “verdinho” precisa se virar para decidir quem é que vai suceder o trono. Aí já viu: vai dar caquinha.

O conselho de xamãs, já prevendo que seria uma tremenda burrada passar “a faixa” diretamente para o filho do falecido, decide esperar a voz dos espíritos (já que, segundo sua tradição e religião, os espíritos e o Deus Serpente sempre vão aclarar as decisões do ancião e guia-lo sobre qual atitude tomar).

Mas a bendita -ou maldita-, voz, nunca falava.

Com o tempo passando e o cerco dos humanos chegando cada vez mais perto, o nosso “querido” filhinho sanguinário do rei morto resolve comandar um levante obrigando o conselho a decidir o que fazer: ou nomeiam um novo sucessor ou fazem a prova (um espécie de competição).

Sem muitas escolhas, o conselho decide invocar a tal prova.

E ai…

E ai a caquinha começa acontecer.

O romance no meio do caos

Tanto no começo da HQ quanto durante os fatos, é possível dizer que é dado um certo “protagonismo” a um casal de orks, Maia e Ulrak. De certa forma a história gira quase que 70% em torno deles, já que estão envolvidos em uma incontável lista de eventos.

E justamente esse casal tem um romance tórrido quando as coisas começam a ficar tensas na tribo sobre a sucessão. “Mas pra quê isso numa HQ dessas?”: bom, eu acho incrível a notável capacidade do desenhista em dar fluidez na anatomia dos orks.

Mas além de uma justificativa técnica, é importante para o leitor notar o grau de cumplicidade entre esse casal. Em muitos quadros nota-se sutilmente ambos se entreolhando e sempre chegando a mesma conclusão de que uma determinada atitude vai dar errado.

E também isso ajuda a desenrolar a trama que, sim, vai desenvolver um romance paralelo entre um ork e uma “rebelde” (fiquem tranquilos que esse é justamente um dos pontos de virada como já avisei e não vamos dar spoiler dessa parte 🙂 ).

Mais sangue, menos conversa

E assim segue a história: com a vitoria prevista na prova maluca da corrida sucessória, o Filho sanguinário é coroado Rei e adivinhem: “vitória ou morte”. O problema é que os orks NUNCA foram bons estrategistas.

Esse detalhe fica bem evidenciado quando os próprios membros do conselho ponderam sobre as decisões do filho. E a coisa começa a piorar quando eles comparam as decisões do novo rei com as do falecido.

Convenhamos: quem não ficaria meio melindrado se ouvisse que o pai era mais capaz que você, filho, e isso que você faz só vai dar… Porcaria?

Bom, o combustível para o Novo Rei ficar aina mais ensandecido é perfeito. Agora a ideia dele é arregimentar todas as tribos de orks e comandar uma investida contra os humanos.

Sensacional.

A não ser por um pequeno detalhe: os humanos dispõe de uma tecnologia de guerra avançada e já venceram no passado um ataque na guerra das raças, que acabou envolvendo Elfos, Orks, Anões e Humanos.

E sim, os humanos ganharam e deram uma lavada nos orks e nos Elfos, levando estes últimos quase a extinção.

Mas como dizem os entendidos, para um bom apanhador, uma surra é pouco.

Oh, grande Deus, o que faço, eu, agora?

O ancião maior do conselho finalmente recebeu as visões: agora temos um outro problema. Será mesmo que essa guerra é sem sentido? Será que todos estão sendo enganados e manipulados por algo ainda maior?

As dúvidas plantadas na cabeça do xamã com essas visões foram tão incisivas que a busca por respostas era imediata. Nos estudos e na sua sede por sabedoria ele vai atras de um velho amigo que pode lhe esclarecer algumas coisas.

*Spoiler Alert*

E assim a suspeita é confirmada: uma entidade superior se tornou totalmente dominadora e simplesmente acabou com todo e qualquer indício de bondade nos outros deuses que eram cultuados por outras raças.

Ele se tornou um mal tão maior que virou um devorador de deuses.

E para agravar a situação, esse mal estava manipulando os humanos para se voltarem contra tudo e contra todos e conquistarem todo o resto do mundo para que tudo e todos estivessem a seu serviço.

Inconformado com o resultado de suas buscas, o xamã tenta, em vão, avisar o Novo Rei, que, para variar, dá de ombros. É nítido: o novo Rei está cego pela dominação do mal.

*Final Spoiler*

Humana, venha até mim

Como já havia alertado, SIM, temos uma humana gente boa nesse caos todo: ela é uma sacerdotisa que cuida de um santuário nos domínios dos Humanos. Lá todos tem abrigo e segurança. Mas ela também busca por respostas. E justamente as respostas que nosso velho xamã ork obteve.

Hora de saber a verdade: o xamã e seu valho amigo vão falar com a humana e revelam tudo a ela.

Mas, enquanto eles são transportados para um plano astral para elucidar todas as dúvidas sobre essa dominação do mal, uma batalha intensa e sanguinária acontece no santuário.

Tropas do governador humano invadem o local e um mar de mortes é visto. Nada mais habita aquele local a não ser pilhas e mais pilhas de corpos.

*Spoiler Alert*

Paralelo a esse evento, a investida burra do Novo Rei contra os humanos termina com um campo de batalha imerso em sangue dos guerreiros orks. Até mesmo o Novo Rei é morto. Que sina, não?

Mas…

*Final spoiler*

Como toda história, ainda existe uma esperança. Mas para saber que esperança é essa, só lendo Orks!

Vale ou não a pena ler ORKS?

Bom, depois de uma passada rápida pela história, já adianto: SIM, vale a pena ler Orks. Goste você ou não de fantasia, a leitura vale do mesmo modo.

Isto porque, o enredo envolve muito mais do que “mais uma trama de raças”. O que é questionado é livre arbítrio das pessoas e em como os fatores como política e religião podem mudar isso.

Além do mais a teoria do retorno, ou causa e consequência, como queiram, é extremamente explorada na HQ. A sensação que o leitor tem é de uma miscelânea de conclusões no meio da leitura.

E mais um detalhe: a HQ nos faz parar para pensar se os fins justificam ou não os meios. E já adianto: vai trincar a cabeça chegar numa conclusão.

Há um constante conflito positivo de princípios existenciais na trama e, embora ela, infelizmente acabe de uma forma meio “aguardem que vai ter mais”, ela, infelizmente, acaba de vez. A ultima página é literalmente a ultima!

Aliás, embora isso seja um fator “ahhhhhh” também é um fator positivo, já que o encadernado de mais de 100 páginas é um arco fechado de história.

Importante considerar também que, apesar da maneira abrupta de seu encerramento, ele arremata todas as pontas de história e todos os núcleos de importância.

Ou seja, propositalmente, o autor faz você gozar de uma imaginação cedida para completar o final de “verdade”.

Por isso, além da beleza que mais uma vez o selo Gold Edition traz, Orks é uma obra daquelas indispensáveis para se ter na estante, na humilde opinião desta, também leitora!

E ai, gostaram? Ou você também já leu? Quero saber também suas impressões! Deixe um comentário 😀

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Joana Rosa Russo
joanarrt@gmail.com

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