Konungar, diferente de outros contos nórdicos já conhecidos, é uma miscelânea de referências históricas e fictícias.

Então vamos começar falando sobre o que o nosso leitor já conhece! Você deve ter visto a capa e pensado: mas isso vai ser um skyrim misturado com GOT.

Não.

Você pode até se inspirar na referência de alguns caracteres e talvez uns trechos de história, mas Konungar está bem longe de ser um remix modificado destas bases.

Antes de entrar no assunto, tem um review bem bacana no canal do YouTube!

Mas se você já viu e está atrás de novas informações, então mãos à obra.

O Roteiro: uma trama de intrigas e traições

Sim. Tudo começa no presente da região onde a história rola. Confesso que por alguns momentos, apesar de um enredo medieval que me cativou pela minha forte admiração por The Witcher 3 (o jogo), a música que eu ouvia no fundo da mente era “This is America”. E não por acaso: “a zona generalizada” que vamos presenciar nessa obra é bem similar ao que ocorre no clipe. Claro, guardadas as devidas proporções e suas devidas épocas… Mas essencialmente é a mesma coisa.

 

Tudo começa com uma apresentação indireta de nossos personagens principais e o momento de uma nova e possível guerra de raças.

Celtas, Nórdicos, Centauros, Globins, Trolls… e por ai vai. Tem literalmente de tudo em Konungar. Mas o mais bizarro fica por conta das alianças tortas que nosso atual Rei (FELODUMAEGUA) vai tramar para não ser abdicado do trono.

Mas não: ele não chegou lá por milagre.

Rildrig, o tirano, é o atual monarca que comanda a parada no reino. A pedra no seu sapato desde a juventude é seu irmão Sigvald: um homem centrado e de temperamento comedido e prudente. Ou seja, totalmente o oposto do irmão.

No meio deles temos Elfi, a única irmã mulher do trio de sucessores que terá uma importância muito além do que você acaba concluindo nomeio da história. Sim, preparem-se: a narrativa é recheada de pontos de viradas, porque a cada nova virada de página se descobre que desde o pai do trio, o reino é viciado numa rede de traições e corrupção.

O problema central da história é a ameaça de invasão centauro. E além dela, uma invasão Celta por mar. O problema é como conter ambas, sendo que os centauros são conhecidos por serem grandes guerreiros, possuidores de táticas únicas de combate. Entrar numa guerra com eles pode ser a assinatura de óbito de um reino inteiro -ou presume-se que assim seja…

Diante dessa possível ameaça, Rildrig conta com a ajuda de seu Feiticeiro, Hilmar, que também é seu conselheiro de guerra, por assim dizer. As ideias doentias de poder de Rildrig casam bem com as de Hilmar que, acaba por revelar ao rei que esteve trabalhando numa “nova raça de soldados”: Berzekers.

O problema é como isso acontece: para se criar o Berzerker, pessoas mortas são trazidas à vida por magia rúnica, naturalmente instável e desconhecida. Mas mesmo assim, Hilmar procedeu aos estudos e adivinhem: sim, isso encantou nosso desequilibrado rei, Rildrig.

Já desde as primeiras páginas a obra nos coloca á par de que existe uma guerra familiar interna: ok, conflitos de família existem, mas venhamos: começar uma história descobrindo que um dos irmãos é um exilado é meio estranho. E mais estranho fica à medida que vai sendo revelado o motivo pelo qual aconteceu esse “exílio”.

SPOILER ALERT

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Descobre-se que, na verdade, tudo não passou de uma grande jogada para que o filho mau caráter que Rildrig é permanecer no poder e manter acobertada todas tramas sujas que seu pai realizou para assegurar vitórias contra outras raças e ganhar força perante outros reinos.

FINAL DO SPOILER

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E assim a história caminha: em paralelo, QUATRO histórias são perfeitamente abordadas. Hilmar, o feiticeiro; Hildrig, o tirano; Elfi, a virtuosa e Sigvald, o herói. Além disso, vários micronúcleos são abordados na história principal fazendo com que os quatro macronúcleos se entrelacem perfeitamente.

Mas, voltando ao enredo…

A jornada de Sigvald busca a verdade por trás de uma série de inconsistências nos ataques que as vilas do reinos e regiões anexas vem sofrendo: há algo que não casa nestes eventos, seja por um detalhe ou por uma evidência. E Sigvald começa a desconfiar que há MAIS GENTE interessada numa possível guerra…

Mas não pensem que a conclusão de que uma trama pouco previsível é simples e de fácil dedução. Somente com alguns flashbacks você consegue pegar que algo muito antigo é que despontou a rivalidade entre irmãos. E somente com a revelação de um personagem secundário e totalmente importante é que nos damos conta que, no fundo, o Rei anterior, pai dos irmãos, é que deu início a uma farsa sem igual. E quem pagará o preço por isso? TODOS. Realeza ou plebe; humanos ou criaturas.

Mas antes disso acontecer é possível perceber bem o caráter de cada membro das “divisões” na história: mesmo sem se conhecer a vida pregressa de personagem importante que convivem ativamente com os irmãos, a história não nos deixa órfão. Para se ter uma ideia, eu peguei tanto ódio de Rildrig que era até desnecessário saber o tipo de homem que ele era com sua rainha e filhas.

Outro ponto bem abordado na história é a tentativa de se mostrar como se pode resolver um combate de forma indireta. E que, apesar de diferentes, todos gostam e devem ser tratados com respeito. Nunca se sabe quando vão precisar uns dos outros.

Voltando ao Hilmar…

Quando os Berzekers são final -e prematuramente liberados; e ainda, considerando a informação que nosso feiticeiro NÃO sabia muito de poder rúnico, evidentemente, os Berzerkers, ao invés de se tornarem uma arma de dominação, tornaram-se uma arma de controle auto-consciente de sua própria vontade. E ai meus amigos, sobrou para todo mundo.

As bestas feras se rebelaram e tocaram o terror pelo reino, causando uma carnificina sem igual. Porém, nem todo mal desencadeia coisas ruins. E o desdobro dessa falha, apesar de custar a vida de muitos e de nos proporcionar uma dor na leitura pela perda de um personagem (porque sim, essa HQ tem essa capacidade de vocês mergulhar a ponto de se envolver mentalmente com os integrantes), ela é de extrema importância para que uma atitude seja tomada em DEFINITIVO que determinará o destino de TODOS no reino.

O que conclui sobre a obra

Depois de uma leitura de fôlego, foi difícil aceitar que a obra tinha acabado. A ação e o grau de violência bruta e pisicológica são bem medidas e não chega à uma carnificina “à la” Conan, mas também não desce as minucias de O Fio da Navalha. Ou seja, a dose de combate e cranio envolvidos na obra são bem compensados e agradam bastante quem aprecia o gênero espada e feitiçaria.

De outro lado, os fãs de Mitologia Nórdica, fantasia e RPG vão adorar a pegada da HQ que areja bem em todos os sentidos e inclusive dá elementos para um mesão.

A publicação da Editora Mythos é completa, ou seja, traz todos os arcos de Konungar num único volume. E isso é ótimo. Para ser sincera, no meu gosto pessoal, apesar de sofrer com o fim, amo obras de volume único.

Em resumo, é cofre!

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http://mythologico.com.br/konungar-quando-a-traicao-e-uma-marca-de-familia/
Joana Rosa Russo
joanarrt@gmail.com

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