Ela é uma criminóloga, mas também uma mulher normal, surpreendente e uma pessoa sensível.

Texto originalmente publicado na página da Sergio Bonelli Editore. Confira aqui.

Júlia Kendall vive e mora em Garden City, uma cidade que fica uma hora dirigindo de Nova York. Ela trabalha como uma criminóloga. Ela tem pouco mais de trinta anos de idade, com um cabelo curto e escuro, com grandes e muito expressivos olhos escuros. Ela está bem longe de ser o estereótipo de top model, tendo uma elegância natural e um manequim esbelto e com um penteado similar à de Audrey Hepburn, e apesar de que você não a chamaria de beleza clássica, suas feições definitivamente são atraentes. Ela usa apenas maquiagem leve e ela favorece roupas casuais e descoladas (sua preferência é para vestidos de peça única com uma blusa ou blazer), mas quando a ocasião pede ela tem uma grande variedade de vestidos glamorosos para usar. Ela vive em uma casa da virada do século vinte, nos arredores de Garden City. Os hobbies da Julia são cinema e músicas dos anos 1940.

Ela é uma mulher completamente moderna, com um olhar também moderno sobre a vida e relações pessoais. Recentemente ela teve alguns romances curtos, porém muito emocionais, e isso a deixou com uma aversão natural a relações de longo prazo. No que lhe concerne, sexo é um complemento para um relacionamento, não um fim em si. Ela possui um Morgan branco 1967, quatro por quatro, com estofamento de couro. Isso não é devido a nenhuma excentricidade dela: ela foi forçada a aceitar como pagamento por seus serviços profissionais prestados. Seu trabalho envolve dois aspectos diferentes. Primeiro, ela dá aulas em uma universidade local onde já conseguiu estabelecer um relacionamento de mútua estima e confiança com seus alunos. Criminologia é uma ciência interdisciplinar baseada em psicologia, sociologia, psicanálise, leis… Em outras palavras, é um tema complexo que precisa ser explicado com todo cuidado. E as aulas dela são tão cristalinas que até um iniciante pode entender.

Segundo, como uma profissional freelancer, ela faz um trabalho de consultoria para figuras públicas ou cidadãos particulares. Mas na maioria das vezes ela é encarregada com casos diretamente pela corte local e ela trabalha junto com a polícia. Os métodos investigativos da Julia não dependem apenas de seu conhecimento cientifico, mas também em seu instinto pessoal, um incrível dom e um sexto sentido que permite a ela identificar emocionalmente com qualquer criminoso que ela está tentando rastrear. Então ela sempre pode antecipar os próximos movimentos deles ou descobrir os motivos que levaram ao comportamento criminoso. Os casos que ela acha mais interessante são aqueles envolvendo psicopatologia criminal, as clássicas associações entre sexo e delinquência ou drogas e delinquência, assassinatos violentos, a proliferação de assassinos seriais, o fenômeno da delinquência juvenil. É claro, seu objetivo é assegurar que os criminosos sejam trazidos à justiça, mas ela também é profundamente interessada em compreender (e compreender, não justificar), os impulsos que levam aos criminosos a agirem da forma que agem. De fato, se houver tal categoria, ela poderia ser descrita como uma Investigadora da Alma. As histórias da Julia são também caracterizadas pela presença de um narrador em primeira pessoa, um artifício clássico na tradição de obras de thrillers californianos; aqui, ele nos permite ganhar um insight sobre como funciona a mente da protagonista, ao invés de ler um diário, para que os eventos sejam experimentados vividamente e com um senso de imediatez.

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http://mythologico.com.br/meu-nome-e-julia-kendall-a-criminologa-da-bonelli/
Joana Rosa Russo
joanarrt@gmail.com

4 thoughts on “Meu nome é Julia Kendall, a criminóloga da Bonelli”

  1. Acredito que Julia tem uma magia bem especial, como o Giancarlo tem como objetivo fazer que todo aquele mundo seja o mais realista possível faz com que o leitor também mergulhe nas histórias. É interessante notar o relacionamento da Júlia com outros personagens como o Leo, Webb, avó, Emily e outros, mesmo se o personagem for secundário o Berardi dar uma trabalhada nele dando a impressão que aquela pessoa tem uma vida fora das histórias, em outras séries da Bonelli os personagens secundários só são definidos até um limite, e Júlia vai além disso, por causa disso quando vou ler outras histórias dar para notar como os personagens são “rasos” e mal trabalhados/desenvolvidos.

    E outro fator importante é de como ela é humana, tendo opiniões referentes a alguns acontecimentos ou assuntos, dando mais uma camada de realismo a personagem.

    A Julia prova que é possível sim ter um quadrinho protagonizado por uma mulher que bom e sem ser apelativo.

    Apesar de ter começado a ler as publicações da Bonelli pelo Tex, a Julia é a minha favorita (logo em seguida do Dylan Dog).

    PS: Que bom saber que as publicações de DD, MM, NN e NR vão continuar…

    1. Alexandre, é verdade. Julia é a prova que um quadrinho é muito mais que um mero passa tempo. A imersão e o grau de envolvimento que o leitor acaba tendo com o roteiro e com a personagem é muito grande.
      O que me deixa feliz é ser tão bem representada por uma personagem que considero humana em TODOS os sentidos. Não é meramente uma boa estampa como pretexto para vender história.

      E quem sabe no próximo ano não venham algumas novidades? Nunca se sabe…

  2. Julia é sensacional, pena que não consigo colecionar pelo fato de ter uma numeração alta e ser muito dificil encontrar os primeiros números, dai ja fico com um aperto no coração só de imaginar a coleção esburacada (eu sei, é pura vermisse). Seria legal se fizessem uma nova coleção de Julia republicando números antigos ou especiais, como é feito com Tex, dai daria para colecionar sem pensar duas vezes essas histórias sensacionais :3

    1. Eu concordo em parte, pelo lado do colecionador é triste saber que é praticamente impossível ter a coleção completa, agora como leitor não pois cada história é completa, entretanto eu concordo plenamente que seria legal ter uma republicação de Julia desde o início para atrair novos leitores…

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