Gosto.

Sempre ouvimos: gosto não se discute. E o pior é que isso é verdade! Mas, por outro lado, podemos estudar estes gostos e entendê-los melhor.

E quando o assunto envolve a preferência entre quadrinhos em cores ou em preto e branco… hum… sempre dá polêmica.

As vezes desnecessária.

As vezes meio exagerada…

Outras, já fundadas.

Mas afinal: porque uns preferem p/b e outros em cores? Será que tudo que é p/b pode ser colorido? E o inverso?

Quando a arte é pensada: o esboço da ideia.

Quando uma ideia é concebida, seja de roteiro ou de desenho, seu autor/criador, já tem em mente como aquela história será construída: em cores ou preto e branco. Isso acontece já em seu nascedouro porque toda a sua estrutura deve ser pensada para comportar a narrativa.

Os elementos das histórias em quadrinhos devem se harmonizar, seguindo até mesmo a temática e enredo. Se temos uma história de terror, por exemplo, não necessariamente precisamos de uma paleta completa de cores. As sombras empenhadas e o jogo de luzes são mais importantes na construção de uma arte desse gênero do que cores fortes e de presença, já que a imersão do leitor se dá justamente pela chave do preto carregado no desenho.

E aqui vale ressaltar que algumas HQs até entram com uma terceira cor: o vermelho em tom mais escuro e queimado, mas deixando em boa evidência o trabalho do preto e branco.

Já no caso de um gênero menos tenso, a presença de cores é muito cotada. Entre histórias de super-heróis, por exemplo, em que se trabalham cenários carregados de detalhes majestosos de nosso cotidiano, as cores dão a vida e o movimento necessário para que o leitor embarque no mundo de fantasia:

Réquiem

E isso acontece também quando os autores prezam pela interação com o cenário, como abaixo:

Tex Graphic Novel – Desafio do Montana

Dentro dos quadrinhos coloridos há uma infinidade de estilos, tons, estilos, aguadas, aquarelas… O universo em cores enche os olhos dos leitores e arrematam a narrativa dinâmica que, normalmente, suas histórias pedem.

Orks
O Fio da Navalha

Por outro lado, o preto e branco também gozam de incontáveis estilos e produções, que dão ao leitor muito mais profundidade do que só mero traço ou “desenho inacabado”.

O Sinal de Yama

Então, a determinação sobre uma obra ser ou não colorida é uma das mais importantes tarefas daqueles que a produzem.

Uma história em p/b é só colorir. E uma a cores, é só jogar no negativo. Será?

Não. Definitivamente, não.

Nem toda história em p/b pode ser colorida. E isso vai depender muito do estilo que foi empenhado na arte. Há desenhistas que simplesmente precisam redesenhar ou “limpar” a arte em preto e branco para receber as cores.

Nathan Never – Inferno

Em outros casos, a paleta de cores pode ficar restrita a tons pastéis ou dentro de uma mesma gama.

Algumas histórias comportam melhor a presença do flat, por exemplo, que são as cores “chapadas”, sem degradê ou efeitos de sombras. É o estilo visto, por exemplo, em muitas histórias de Tex:

O Casamento de Tex – Tex em Cores 5

Em outros casos não tem como simplesmente você fazer com as cores virem p/b. Imaginem, por exemplo, uma arte de Elfos, Réquiem ou Orks em preto e branco? Ela fica chapada e condensada; os detalhes se perdem. Não há equilíbrio no traço para dar efeito.

A verdade era que tudo dentro de um quadro viraria um “unidos venceremos”.

Isso acontece justamente porque a profundidade que se constrói em cores não é a mesma do preto e branco.

Então o que compensa mais?

O fato de uma história ser p/b ou Cores não deveria, a princípio ser considerada como um detalhe “que compensa mais uma do que outra”.

São estilos diferentes. São detalhes únicos. Cada qual tem sua técnica e aplicabilidade.

Já na questão de gosto, há quem aprecie mais o P/B do que em cores. Outras pessoas já preferem o contrário. Isso é mais uma questão pessoal do que de “uma ser melhor que a outra” em si. As obras que apresentamos aqui são deslumbrantes, sejam elas no pretinho básico, ou no estonteante ritmo das cores.

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http://mythologico.com.br/off-topic-as-cores-do-p-b-preferencias-opinioes-e-o-nosso-gosto/
Joana Rosa Russo
joanarrt@gmail.com

2 thoughts on “[OFF.TOPIC] – As “cores do p/b”: preferências, opiniões e o nosso gosto.”

  1. Além disso, precisamos mencionar que dependendo do estilo de arte do desenhista uma arte em P/B fica mil vezes melhor do que a arte colorida, já que no colorido pode ser perder alguns detalhes.

    Isso se aplica não só aos quadrinhos, também no cinema, pois o diretor pode visualizar que a história do filme combina melhor com uma determinada seleção de cores, um exemplo interessante disso seria o Kill Bill do Tarantino, pois em determinados momentos a cena pode ser só siluetas, em outros só p/b e em outros colorida (com destaque para o vermelho do sangue). Realmente isso vai depender do que a pessoa quer transmitir para o espectador ou enfatizar.

    Claro que nada impede que uma obra colorida funcione em p/b (quem assistiu o último Mad Max em sua versão “chrome edition” sabe do que estou falando).

    Gostei do tema, traga mais assuntos como esse aqui…

    1. Exatamente Alexandre. Algumas casam perfeitamente bem com o p/b. Em cores, se perdem totalmente. Eu fico contente que uma matéria assim tenha agradado! Pode deixar que breve teremos outras assim “off” mas totalmente ligadas aos quadrinhos! E sobre Mad MAx… Eu sou fã também… heheh

      Eu fico sempre muito impressionada com obras que praticamente “pintam ou desenham a luz”. Tenho a mesma impressão, por exemplo, com Atomica, do Sam Hart. No fundo é como se a folha toda fosse preta e eles pintassem SOMENTE o branco, dando a noção de profundidade e jogo de sombras.

      Ainda no campo dos quadros e cores em paletas reduzidas, tem Morgan Lost. Como ele é daltônico, o quadrinho é produzido em preto, branco e tons de vermelho. Cara é de surtar!

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