Não foi de primeira vez que entendi o argumento central do mais novo título de Dylan Dog, Delírio de Morte. Na verdade precisei de uma segunda visita ao quadrinho para pegar em plena compreensão o que tava rolando na história.

Bom, que não é novidade que uma pá de títulos de DD sejam meio nebulosos a primeira vista, a galera tá vacinada de saber. MAS, confesso que alguns deles me despertam uma leve identidade. Quando se lê Dylan uma segunda vez, você consegue absorver detalhes mais minuciosos e mais indecifráveis à primeira vista.

E com Delírio de Morte não foi diferente.

Bullying – Adultos e traumas

Sim. Bullying não é só uma palavra da moda ou algo descoberto recentemente. A coisa é mais antiga e bem mais profunda do que se imagina. E na verdade, se considerarmos o efeito de sua consequência, a coisa era bem pior: não se tinha muito conhecimento sobre a influência psicológica sobre as pessoas. Não se tinha instrução se isso seria apenas uma “frescura” ou se isso causaria impactos diretos na sua vida.

E adivinhem: a segunda opção é a verdadeira. Ao contrário do que se entendia até há alguns anos atras, o bullying era tido como algo normal que “toda criança e adolescente passa na escola”. É parte de nós sermos diferentes, mas daí a autorizar que outras pessoas se divirtam em cima dessa característica… Não. É errado e nunca foi normal.

Mas enfim… Com o avanço dos estudos psiquiátricos e comportamentais, a neurociência coletou suficientes para saber que os efeitos da prática do bullying são nefastos. E não para quem pratica, EM TESE, mas para quem sofre.

Aí fica interessante: como o destinatário do bullying sofreu e vai desencadear muita coisa na sua vida, as vezes, e não raramente, pode essa pessoa que sofreu esses baques voltar-se contra aqueles que o praticavam. O mais engraçado disso é ver o dano em ricochete: aquele que pratica bullying PODE ser vítima das consequências de seus atos.

Mas e porque diabo eu falei de tudo isso?

Porque esse numero de Dylan é capaz de mostrar e revelar tudo isso. Minha leitura do exemplar foi muito além dos detalhes e inspirações cinematográficas que, classicamente, o personagem tem.

Assim como a dupla Mater Morbi e Mater Dolorosa transmitem o âmago da análise quando se está doente, de frente com a morte e diante de suas angústias, Delírio de Morte nos mostra os problemas que uma “simples” zoeira sem limites pode ter.

Como dizem: um louco não é louco até que testem seus limites.

Uma vida, várias mortes

A leitura começa com um suspense: numa casa, a noite, alguém se esgueira pela escuridão e…. PRONTO: duas mortes acontecem. Um sequestro noir e rastros inexplicáveis da motivação do criminoso.

É assim que somos apresentados ao roteiro. A investigação que, até certo ponto não sabia da existência de um elemento comum, Não consegue se antecipar as novas mortes que vão acontecendo. É por causa de uma pessoa, preocupada com o desenrolar dos atos, que Dylan começa a juntar as peças deste quebra-cabeças.

Alias, é assim que nós, leitores, começamos a nos tocar que certos detalhes que são revelados durante o miolo da história tem fundamental importância na solução do caso.

Por várias passagens você é levado a concluir que trata-se de um assassino em série que sabe bem ocultar seus passos. Mas ai você se dá conta que não está lidando com um caso meio clichê, como o que vimos em “A Marca Vermelha”: a coisa é bem mais psicodélica quando você começa a entender o que diabos tá rolando na trama.

Mortes atrás de mortes vão acontecendo durante a investigação. Embora Dylan tenha mesmo chegado ao ponto destes eventos quando foi atrás de Daniel, um coitado, que era “torturado” por amigas (não mais), de colégio da senhorita Brenda (a sequestrada do início da história), algo não encaixa.

Apesar do caso parecer solucionado, um toque sobrenatural é adicionado: será que é possível materializarmos nossos maiores medos? Será que podemos dar vida à nossos maiores pesadelos de morte? É possível que a gente se liberte deles?

E é essa a pergunta que a senhorita Brenda vai ser obrigada a fazer quando chegar nas últimas páginas desta HQ…. Porque nosso querido Dylan estará debaixo dos lençóis muito bem acompanhado…

Recomenda ou pula?

MAIS QUE RECOMENDO! É, definitivamente, a leitura mais prazerosa da semana!

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Joana Rosa Russo
joanarrt@gmail.com

2 thoughts on “[Review] – Dylan Dog 04: Delírio de Morte”

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