Quem é leitor de Martin Mystère sabe que sempre temos um bom fundamento na história. Seja ele histórico, geográfico, físico, químico ou matemático. E claro que o histórico, por excelência, abarca os mitos ou lendas locais.

Mas desta vez MM veio um pouquinho diferente: e aqui vale a recomendação… Não leia o texto introdutório sem antes ler a história! Porque vai ser fantástica a experiência! Sr. Hitchcock e Lovecraft que o digam!

O fantástico mundo de Castelli

Confesso que quando vi a capa do quarto volume alguma coisa já adormecida na minha mente se ativou. Mas sabe aquela sensação de que “ah, deixa pra lá. Deve ser só impressão minha”? É… Não foi mesmo só uma impressão.

Necronomicon já começa narrado. E particularmente AMO quanto tio Castelli faz isso: é sinal que vem chumbo grosso na mente! Martin recebe o agente Travis em sua casa para ouvir o estranho evento ocorrido na noite anterior. Quer dizer… Os vários eventos estranhos que rolaram na noite anterior: desde uma morte bilateral estranha até a invasão no apartamento e o sumiço de um… Bem… É, como dizer? Um corpo?!

É… Eu buguei algumas vezes pra tentar achar uma palavra e se “corpo” seria exatamente o que descreveria… Descreveria… isso… E não, não se tratam de alienígenas ou seres estranhos. Era… Humano. Ou ao menos, era isso que você presumiria… Até mais da metade da história.

 

Enfim, até então não se conhece a identidade daquilo que fugiu da polícia. Mas o desenrolar da investigação denota que todos os assassinatos e as coisas estranhas que aconteceram é por causa de uma fita… Sim, aquelas fitas de filmes antigos.

Até fui procurar saber que raio de tipo de fita era, porque, como leiga em cinema a esse nível (e tantos outros níveis, é verdade), eu não fazia ideia de que raios de bobina era a descrita na HQ, já que para mim, fitas cassete eram todas iguais (deem um desconto, sou de 1990).

Eu nem sabia que esse “trem” tinha “família”.

Continuando… O raio da fita VHS de meia polegada é o objeto pelo qual estão matando.. Ou melhor dizendo, SE matando. O mais bizarro é saber o conteúdo da fita. Aparentemente é só uma gravação de um filme “mezzo”, mudo, sem muita utilidade.

Mas é ai que o treco começa a ficar estranho: na parte final da fita uma série de tomadas estranhas foram capturadas. E o mais esquisito é que, segundo Martin, de acordo com o ano de gravação que aparentava ser, seria impossível mover a câmera com a mobilidade que ela estava sendo manuseada.

Seguindo, o mais bizarro seria o que a câmera gravaria: cenas… desconexas e cheias de, digamos… “Efeitos especiais” que nunca existiram na época, por assim dizer.

E ai vai ficando cada vez mais estranho: descobre-se que… a coisa… morta… que “””fugiu””” do necrotério é, na verdade, um velho conhecido de Martin. E então, a história começa de verdade.

Aqui a atenção redobra nas referências. E mesmo que você nunca tenha visto de onde elas vieram, VOCÊ VAI ENTENDER! Essa é a graça!

Uma coisa antecipo: aos amantes de Hitchcock e Lovecraft, será um deleite a mais. Alias, vai até ser possível zoar aquele seu amigo que é chegado em HC e HP e fazer uma “disputinha” MUA HA HA HA!

Quando a ficção inspira outra ficção

E não. Não estou falando, eventualmente, que Hitchcock ou Lovecraft se sobrepõe um ao ouro. Alias, nem vou entrar nessa seara! Isso serio meio.. Perigoso.

O que inspira na verdade é como uma obra de ficção e terror acaba inspirando outras. Foi assim que este volume de MM foi construído: foi com base em grandes nomes do terror e suas influências. O desdobro deste tipo de aventura resulta numa grande mistura muito gostosa de ler com experiências meio surreais que, de tão surreais, começam a fazer com que o leitor pare e se pergunte se isso seria possível.

O pior disso… É quando você, lá intimo, diz: “pô, nem seria tão absur… Quer dizer, isso é irracional… Ou não?!”

Castelli teve o dom de inventar quase um choque de referências numa linda comemoração. Mas não gastar mais linha falando disto, senão vou acabar dando um mega spoiler.

Mas posso, seguramente dizer que nesta aventura, inclusive, apesar de se passar em 80% do tempo no apartamento de Martin, o dinamismo fica por conta da narrativa. Alias, é um daqueles volumes que Martin está bem sagaz e tão desenvolto que é possível ver seus dotes de retórica e “enroleition”!!!

Indico?

Pergunta besta. Acho que até mais que “A coisa do outro mundo”, já que, apesar de desconhecer muitas obras de Hitchcock e Lovecraft, que não fazem meu gênero, porque eu sou uma medrosa de marca maior, Necronomicon eu leria se tivesse continuação!

É empolgante; é meio medonha; é cheia de referência; tem dose de humor e de suspense.

Certamente é um título que foi escolhido à dedo para fechar essa primeira fase desta coleção!

SPOILER ZONE

Durante o Festival de Quadrinhos de Limeira, nosso editor, Dorival Vitor Lopes, CONFIRMOU a continuação com mais 4 volumes dos títulos MM, DD, NN e NR!

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Joana Rosa Russo
joanarrt@gmail.com

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