Nas bancas em 20 de junho de 2018, a segunda edição desta minissérie de Nathan Never, para mim é uma das melhores que já li, (confesso que, até então, não havia lido muitas…).

Mas tirando o número de HQs/personagem que já passaram em minha mãos, fato é: a eletrizante aventura, a engenhosidade do roteiro e ainda, a beleza poética evolvida aliadas à crítica sócio-política, arrematam uma obra e tanto.

E não falo por acaso: assim como irmãos de casa, como Dylan Dog, este volume de Nathan tem uma carga poética muito forte, e o título não só casa com TODO o roteiro, como ele se entrelaça perfeitamente com todas as questões que foram abordadas.

Ficou curioso? Então vamos falar um pouco sobre Inferno.

Dante, Música e… Vigna

Já no começo da obra é notável a narrativa atrelada a obra de Dante. Depois de apresentar o caso aos leitores, e já dando a dimensão do que pode vir a ocorrer, Dante é suavemente integrado aos quadros quando Nathan diz à secretária do departamento que o livro que está segurando é uma “obra que procurava há anos”.

Mas o ponto magistral na HQ é que, ao mesmo tempo em que deixa o leitor mais ligado a cada acontecimento cheio de referências, também possibilita àquele que desconhece a matriz da referência, no caso a obra de Dante, um entendimento muito conceitual, não deixando aquela coisa meio “estranha” e desconfortável na leitura só porque você nunca leu fulano ou beltrano.

Mas, como o próprio nome da HQ já sugere, estamos falando da obra “A Divina Comédia”, mais precisamente o capítulo “Inferno”, de Dante Alighieri. Alias, o mesmo que também inspirou filmes como aqueles que o ator Tom Hanks interpretou o popular personagem do Detetive Robert Langdon, que sempre se envolvia com obras que “queriam dizer alguma coisa além do que se podia ver”.

Mas voltando a Nathan Never, a HQ consegue inspirar o mesmo sentimento de quando se assiste a um filme de ação com este tipo de quebra-cabeças. Vigna, o roteirista deste número, foi proposital e inteligente ao retratar o mundo de Nathan, que, é segregado por castas, por assim dizer, no modelo que Dante idealizou do inferno e suas sete camadas.

Durante vários quadros presenciamos esse entrelaçamento. E não é a toa: os quadros em que são inseridos os fragmentos da obra se traduzem em pensamentos de Nathan. Ou seja, nada é colocado ali por acaso.

E o resultado… Bem, o resultado é uma HQ que você simplesmente NÃO QUER parar de ler.

O p/b e a ação frenética: as luzes e sombras a nosso favor

Para quem acredita que uma HQ em preto e branco é “só mais um quadrinho pra encostar na estante”, engana-se. A arte em p/b é capaz de ofertar uma outra experiência visual e imersiva que as obras em cores não são capazes.

Nem vou me atrever a entrar na discussão se p/b é melhor que cores, até porque agora não é a hora (hehehe), mas devo ponderar que o jogo de luzes e sombras, mesmo no colorido, são feitas com o nosso rotineiro e “simples” preto e branco.

Para quem desenha, o desafio e fazer os quadros em mono criarem movimento e encherem os olhos de quem lê nos detalhes. E Dante Bastianone (isso não é um easter egg), consegue entregar essa experiência: não só pelo nível de detalhes que vemos em cada quadro, mas nas expressões trabalhadas e delicadamente pensadas. Além disso, a tensão dos locais, das conversas, da ação… Tudo transborda a energia do roteiro.

O preto e branco valorizam a narrativa e o roteiro, dando ao leitor uma experiência muito diferente.

Por isso, mesmo que você seja um grande fã de obras coloridas, deixe um pouco de lado a sua predileção e se atire na leitura de Nathan Never. Aposto que seus conceitos sobre p/b podem mudar um pouco.

Na boca da ação e a caça a um pseudo “bandido”

Depois de colocarem o leitor a par do que vem por ai, a caça começa: um jovem comum, participa de um assalto a um banco. Teoricamente, a abordagem é muito inteligente e promete não fazer vítimas. Mas, como nem tudo são flores, o comparsa desse jovem, que é muito mais “esquentadinho”, prefere agir por métodos mais convencionais, se é que me entendem.

E ai a “caca” está feita: uma arma, tiros, polícia e uma perseguição que resulta na morte do comparsa. Embora o nosso jovem não estivesse mascarado e nem tenha sido o autor dos disparos, seu amigo, não tão humano, estava com um capacete. E ai vem o problema: quando a polícia começa a investigar a cena do crime, descobrem que o nosso jovem assaltante estava envolvido com os mutados… E para ajudar, adivinhem qual foi a “fuça!”” que as câmeras de segurança registraram??? Pois é, e isso dá inicio a uma batalha política muito intensa.

Para quem não tem muita identidade com o mundo de Nathan, cabe um parêntese: sub-raças foram criadas por experimentos humanos. Dentre essas experiências nasceram os mutados. Durante a narrativa parte deste processo é explicado, colocando o leitor num ponto muito confortável de leitura já que, você pode NUNCA ter lido nada antes de Nathan, mas o volume VAI te colocar a par de resumos de eventos importantes.

Então, tudo colabora para que você não se perca na história e nem se sinta um tonto tentando pegar o bonde andando.

Voltando a história…

Chegamos ao ponto que Nathan é procurado. E não pela polícia para caçar o jovem que participou e escapou da polícia, mas sim pelos pais dele que, desesperados, vão pedir auxílio a Nathan. Segundo eles, o jovem, embora idealista, jamais seria capaz de matar ou agir assim. E com base nisso, Nathan começa sua busca pelo Inferno atras de explicações, enquanto uma eleição se aproxima e políticos e imprensa se aproveitam do caso para fazer um cabo de guerra eleitoral…

As conclusões da obra

Pode-se dizer que este volume de Nathan é atemporal. O que se discute nas páginas da HQ vai muito além de “só mais uma história em quadrinhos”.

Como já alertou nosso querido Mario Alberti (durante sua palestra no Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte – colar URL YT Frontera e Fio), Nathan, assim como outros títulos da Bonelli, foram idealizados para discutirem o dia-a-dia, as coisas palpáveis do nosso mundo. O fato de uma ficção ser algo longe de nosso cotidiano, não quer dizer que ela não possa ou não deva nos oferecer um ponto de vista crítico sobre o que acontece ao nosso lado.

Por isso, meu caro amigo, considero Nathan uma leitura obrigatória para os amantes de HQs e de leituras que te levam muito além de meras horas de passatempo.

E você, conhece Nathan? Já leu este número (para quem for ler este post depois do dia 20, heheh)? Então chega mais: conte-me o que achou dele!

Se você ficou interessado e quer adquirir a HQ, aproveite!

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http://mythologico.com.br/review-nathan-never-02-inferno-dantesco/
Joana Rosa Russo
joanarrt@gmail.com

6 thoughts on “[REVIEW] Nathan Never #02 – Inferno – (Dantesco)”

  1. Oi Joana eu já garanti a minha Edição! Vc sabe quando que a Mythos irá divulgar os lançamentos do segundo semestre? Seria bacana pq nós leitores e consumidores poderíamos nos organizar né? Abraço e gostei muito do vídeo sobre a Bonelli mas ficou um ar de suspense heim? O que será que vem por aí?

    Vc já ouviu falar numa tal de Heavy Metal? kkkkkk

    1. Oi Eri! Hum, a ideia é boa! Vou verificar se há possibilidades de uma divulgação nestes moldes. Mas todo começo de ano sai uma previsão! Salvo engamo saiu tanto no site do Clube Tex Portugal como no site da Confraria Bonelli (previsão de Lançamentos Bonelli)! E eu nunca ouvi falar desse treco de Heavy Metal não… heheh (e pior que não sei mesmo)

  2. Olá Joana,
    Estou muito animado com o retorno de Nathan Never, tenho vários em italiano e todos (poucos…) lançados no Brasil da Globo e Ediouro.
    Espero que continue além das 4 edições previstas…
    Parabéns pelo excelente trabalho com os Bonelli no Brasil !
    Valeu !

    1. Oi Kiko! Seja bem-vindo amigo! Obrigada pelo seu contato e principalmente pelo seu breve relato de leitor! A gente tá torcendo muito para que continue! E vocês são fundamentais nessa empreitada! <3

  3. Olá, Joana. Você poderiam publicar a clássica aventura numero um com o fantástico Claudio Castelline. Me parece que ele fez outras história… acho que mais curtas do Agente Alfa.

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