Sempre fui uma apaixonada por histórias com raças antigas, enredos medievais, romances, e, para arrematar, uma intensa e sanguinolenta ação e batalha.

Quando me apresentaram Elfos fiquei pensando se a obra me entregaria, de fato, o que eu esperava.

A capa e a contracapa eram convidativas. Dois elfos, um de cada espécie, em suas posições de austeridade e contemplação. Ao fundo, suas terras e um pequeno easter egg do que poderia conter na história.

O prazer da abertura

Todo leitor é tomado de um enorme prazer quando abre um livro ou uma HQ que acabou de chegar às suas mãos. E comigo não foi diferente. Mas o que mais me surpreendeu foi o cuidado da arte: logo que se abre o exemplar, você dá de cara com um belo mapa da região de Arran, onde a história vai rolar.

Confesso que para alguém que joga muito Action RPG, como eu, isso foi delicioso. Remeteu-me ao prazer de abrir meus jogos prediletos e dar de cara com aquele encarte que conversa com você. Para quem também é desse vício, refiro-me a The Witcher e Skyrim.

O impacto do desenho

Passada a primeira excelente impressão, dei de cara com a narrativa totalmente aberta e a arte magnífica, típica dos quadrinhos europeus (não que eles não tenham suas doses de coisas não tão boas, mas…). Perdi-me por instantes apreciando a perspectiva do quadro principal. Os tons, a neve, a névoa, as expressões, os ursos (que me lembraram Iorek Byrnison, o urso falante do livro A Bússola de Ouro)… tudo me puxou para dentro da HQ, assim como aconteceu quando abri Elric pela primeira vez.

Nas páginas subsequentes, minhas primeiras impressões se confirmaram: as sombras, luzes… Tudo é absolutamente harmonioso no cenário e, principalmente, casam perfeitamente com o enredo. Tanto a delicadeza quanto a brutalidade, são magistralmente intercaladas e, não raras vezes, coabitam as mesmas páginas.

Os ângulos e as sensações são bem exploradas e transmitem ao leitor todo o sentimento que paira sobre os quadros, sejam eles de medo, raiva, emoção, amor… Variados. Foi o mesmo que senti com Elric. Aliás, até mesmo a raiva de determinados personagens me foi parecida.

O enredo: a trama multifocada

Quando finalizei a primeira história percebi algumas pontas. Elas sugeriam que não estavam ali à toa. E de fato, não estavam.

Na primeira parte, Elfos entrega uma história muito bem costurada de traições e vingança. E não é exatamente óbvio: o enredo consegue envolver o leitor e fazer com que aos poucos você consiga resolver o “mistério” juntamente com a personagem.

  • O Cristal dos Elfos Azuis

Em “O Cristal dos Elfos Azuis”, Lanawyn parece ser a personagem central da história, e, com ela, acompanhamos todo o desenrolar de uma investigação sombria sobre a morte em massa de inúmeros elfos de sua raça num arquipélago. Mas a investigação resulta em conclusões cruas num primeiro momento. Aliás, só é evidenciado que existe uma simulação de crime mais adiante, quando nossa “protagonista”, começa a reunir sutis detalhes sobre o crime que ocorrera.

Enquanto isso, outra história paralela é abordada: uma jovem elfa, em tese destinada a controlar poderes das águas começa sua busca pela verdade sobre essa promessa e, claro, pelo artefato que vai lhe ofertar isso, o que, aparentemente, é algo que você nem dá muita relevância na leitura.

Mas é ai que vem o ponto de virada da história: cada quadro solto pode ser uma pista do desfecho da história.

No momento que a jovem elfa, Vaalan busca pelo artefato, na verdade um colar de cristal azul megapoderoso que controla as águas do mar, nossa protagonista continua suas investigações ao lado de Turin, seu… Bem… “Parceiro”. Sua jornada inclui a exótica visita a um orc necromante, que, confesso, despertou-me uma senhora curiosidade, já que, nesta obra, eles são retratados como a típica raça mítica que conhecemos de histórias nórdicas, mas com umas notas de sagacidade e humor negro que me fizeram gostar -ao avesso-, deles.

E ai, meus amigo, a cagad… a caca, está feita: numa revelação enérgica na história acontece. No meio de uma guerra simulada, a nossa protagonista mostra do que uma boa vingança pensada é capaz: causar a extinção de uma raça num único ato.

Ela mostra também, digamos, o que um certo charme na austeridade causa…

Nesta primeira história, o que chama atenção, mas de forma comedida é o aparecimento e atuação de outra raça de elfos: os elfos negros… E, meu amigo, os caras são cascas grossas da pior espécie. Não jogue essa informação fora…

  • A Honra dos Elfos Silvestres

A história já começa banhada de sangue… e até mesmo de um toque de sofrimento. Mas não de nosso segundo protagonista.

E ai aqui percebi um dado importante: neste volume, não há ligação direta de uma história com a outra. Não a ponto delas terem um entrelaçamento que você olhe e diga “ora, ora, isso foi no mesmo tempo daquilo”. Cada história tem dentro de si tramas paralelas, mas que, a princípio, não se envolvem diretamente umas com as outras.

Assim aprendi que elfos negros são uma cambada de filhos do satanás.

O enredo aqui é menos cinético que na primeira história, porém, sua busca incessante pela verdade e pelo bem de todos, o nosso protagonista, o jovem e robusto Yfass, tem mais do que reais motivos para salvar uma mera humana.

Nas mitologias nórdicas e medievais, os elfos sempre foram considerados povos espirituais, e, embora “metidos”, sabem bem preservar as boas pessoas de coração e de caráter irretocável. Acho que o exemplo mais emblemático que me vem à cabeça, inclusive, é do elfo Avallac’h, dono de uma arrogância sem igual, mas que chega a ser tão arrogante que você se afeiçoa à ele.

Llali é a humana que a história aborda com foco: uma pessoa especial, única, destinatária de uma força espiritual histórica. E nosso elfo, apesar de tudo e todas as dificuldades, encara a missão como algo muito maior que ele e sua raça.

E assim a jornada destes dois se inicia. Uma guerra em andamento; reinos endividados; uma conspiração para tomada de terras: a economia entra em colapso. e no meio de tantos problemas e seriedade, a tenacidade do nosso elfo e o comportamento brincalhão da humana começam a traduzir uma linha de romance muito intensa e velada.

Assim como a ética dos elfos, o romance se espalha com respeito, carinho, toques de sedução e timidez. Ou seja, é algo que transcende apenas uma ligação física.

Justamente essa delicadeza que contrasta com a tensão da guerra e da conspiração  dão movimento e imersão na história. E ai novamente aparecem as figuras já vistas na primeira história: os elfos negros.

Neste momento, segue o ponto de virada. A morte de um, a vingança e ira que move o outro são os elementos que guiam a história até o final, que culmina, na verdade, no início de uma nova era.

Impressões finais: vale ou não a pena ler Elfos?

Esqueçam que estamos no blog da Mythos. Esqueçam que eu sou a Joana. Esqueçam de tudo isso.

O que importa agora é falar da obra. E na verdade, caramba. Se eu curti Elric, Elfos foi o sossego da minha alma até o volume dois destas obras chegarem. Elfos é, sem DÚVIDA nenhuma, uma obra do selo GOLD que deve estar presente em sua coleção.

Não só porque é bonito;

Não só porque é um desenho top;

Não é só porque é europeu.

É porque é A OBRA.

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http://mythologico.com.br/review-o-romance-e-a-acao-em-elfos-a-uniao-harmoniosa-de-estilos/
Joana Rosa Russo
joanarrt@gmail.com

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