Se você colocar o mercado editorial do Japão e da França lado a lado, teremos uma estranha disparidade na forma como seus autores produzem: o mercado francês permite que seus autores passem longos meses trabalhando em apenas algumas dezenas de páginas, enquanto o japonês faz com que a maioria dos seus mangá-kas, nesse mesmo tempo, produzam centenas de páginas de conteúdo.

Mas a disparidade para por aí, visto que ambos têm meios diferentes de trabalhar, mas no fim das contas também são os dois maiores mercados de quadrinhos do mundo, com grandes exigências e também com os mais elevados graus de qualidade. Sem falar que, há décadas, ambos estão unidos em produções culturais de vários níveis.

Então não é de se estranhar que o artista HUB (alter-ego de Humbert Chaubel), tenha escolhido se basear na cultura nipônica para estruturar sua obra-prima, a saga do Ronin Caçador de Demônios, Okko!

Em “Okko — O Ciclo Da Água”, somos apresentados ao império do Pajão e de seus estranhos mistérios e místicos segredos. O protagonista é um Ronin (um samurai sem mestre), que corre pelo império pajanês oferecendo seus serviços como exterminador de monstros. Junto a ele estão seus leais companheiros, o mascarado superforte Nobu e o beberrão monge Noshin. O terceiro elemento é o jovem Tikku, que os contrata ao preço de dez anos de servidão para encontrar sua irmã, a gueixa raptada Pequena Carpa.

A trama é bem simples, mas a grande graça em Okko é ver uma interpretação da cultura oriental pelos olhos de um artista europeu. Vários de seus elementos popularizados pela cultura pop em filmes, animes, jogos e mangás, colocados de uma forma totalmente diferente do que costumamos ver saindo da Terra do Sol Nascente. Nesse ínterim, Okko é um produto único que funde a arte espetacular de HUB e sua estética de HQ Europeia, com o lado da cultura oriental que, geralmente, apenas encontramos em produções criadas por seus nativos. Dessa forma há uma certa reverência pela cultura e seus componentes mas sem necessariamente estar preso a eles, justamente por não ter crescido e impregnado por anos de tradições japonesas.

No final das contas, Okko é o ponto de partida para uma saga visceral, belamente ilustrada e com personagens únicos. Uma visão totalmente diferente do Japão e suas raízes aos quais muitos fãs de sua cultura estão acostumados, bem como um trabalho europeu com uma cara que difere de boa parte do conteúdo produzido por lá. Se você gosta de samurais, youkais, onis, katanas, duelos de espada e tudo mais, mas quer vê-los apresentados de um jeito totalmente diferente, Okko é a pedida certa para se guardar na estante…

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Tadeu Ferreira
tadeu.ferreira@mythoseditora.com.br

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